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    Descompasso de uma mulher

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    Me querem mãe, e me querem fêmea.

    Me fazem omissa, e me cobram participação.

    Me querem líder, e me fazem submissa.

    Me impedem de ir... e me cobram a busca.

    Me enclausuram nas prendas do lar, e me cobram conscientização.

    Me podam os movimentos, e me querem ágil.

    Me castram o desejo, e me querem no cio.

    Me inibem o canto, e me querem música.

    Me apertam o cinto, e me cobram liberdade.

    Me impõem modelos, gestos, atitudes e comportamentos, e me querem única.

    Me castram, me podam, falam e decidem por mim e me querem plena e absoluta.

    Que descompasso!

     

    (desconheço a autoria)


    Só de Sacanagem

    sem título
     

    Meu coração está aos pulos!
    Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
    Por quantas provas terá ela que passar?
    Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
    Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
    Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
    É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
    Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, Esse apontador não é seu, minha filhinha”.
    Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
    Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha ouvido falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
    Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
    Só de sacanagem!
    Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” e eu vou dizer:
    Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.
    Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
    Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
    Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
    Eu repito, ouviram?
    IMORTAL!
    Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser,vai dar para mudar o final!


    (Elisa Lucinda)

    Dia do Índio!!!!

    aaaaaaa
     
    DIA DO ÍNDIO. 19 DE ABRIL!!!!!
     
    Minha homenagem à esse povo tão especial
    tão guerreiro
     e tão injustiçado no Brasil!!!!

    .

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    Quarto de dormir

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    um dia desses você vai ficar lembrando de nós dois
    e não vai acender a luz do quarto quando o sol se for
    bem abraçada no lençol da cama vai chorar por nós
    pensando no escuro ter ouvido o som da minha voz
    vai acariciar seu próprio corpo e na imaginação
    fazer de conta que a sua agora é a minha mão
    mas eu não vou saber de nada do que você vai sentir
    sozinha no seu quarto de dormir

    no cine-pensamento eu também tento reconstituir
    as coisas que um dia você disse pra me seduzir
    enquanto na janela espero a chuva que não quer cair
    o vento traz o riso seu que sempre me fazia rir
    e o mundo vai dar voltas sobre voltas ao redor de si
    até toda memória dessa nossa estória se extinguir
    e você nunca vai saber de nada do que eu senti
    sozinho no meu quarto de dormir

    (ARNALDO ANTUNES / MARCELO JENECI)

     

    Amor

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    “Amor, então também acaba?
    Não que eu saiba.
    O que eu sei
    é que se transforma
    numa matéria-prima
    que a vida se encarrega
    de transformar em raiva.
    Ou em rima.”

    .

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    "Sempre existe no mundo uma pessoa que espera a outra,
    seja no meio de um deserto ou no meio das grandes cidades.
    E quando estas pessoas se cruzam e os seus olhos se encontram,
    todo o passado e o todo o futuro perdem qualquer importância
    e só existe aquele momento"
     
    Paulo Coelho, "O Alquimista"


    Agatha Christie

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    "Eu gosto de viver.
    Já me senti feroz,
    desesperada,
    agudamente infeliz,
    dilacerada pelo sofrimento.
    mas apesar de tudo ainda sei,
    com absoluta certeza,
    que estar viva é sensacional."